Se me conhecem, sabem que sou uma autêntica papa-lívros e, portanto, sinto-me bastante à vontade no meio das páginas de papel. Por isso mesmo, os livros sobre viagens são uma área que quero explorar e que me parece um presente ideal para quem goste de conhecer o mundo - afinal de contas, um livro permite-nos conhecer o mundo sem sair do sofá.

Deixo-vos uma lista dos livros mais recomendados para quem goste de viajar:

Dentro de Um Segrego - Uma Viagem na Coreia do Norte - José Luís Peixoto


Este livro relata-nos a viagem de José Luís Peixoto à Coreia do Norte, por ocasião do centenário do nascimento de Kim Il-sung. Todos sabemos que visitar a Coreia do Norte é, por si só, um privilégio. Mas o escritor teve ainda oportunidade de visitar locais que não recebiam turistas há mais de sessenta anos. Tudo isto faz deste livro um relato muito completo de uma viagem improvável.

A Viagem - André Carvalho e Carolina Quina

A Viagem

Nos últimos meses, temos ouvido falar muito desta família que largou tudo em Portugal para viajar pelo mundo com os três filhos. Neste livro, relatam a sua experiência, a forma como é possível viajar com "uma família às costas" e também o regresso à vida normal.
Confesso que não sou a maior fã dos relatos do blog, mas a curiosidade sobre a experiência impõe-se. Um dia, quero ser eu mesma a pegar na minha família e mostrar que há muito mundo para além da rua em que vivemos.
Se conhecem alguma família a precisar de um empurrãozinho para saltar para o mundo, esta pode ser a prenda ideal.


Pela Estrada Fora (On The Road) - Jack Kerouac

Pela Estrada Fora

É considerado um dos grandes clássicos da literatura de viagem. Relata viagens pelos Estados Unidos, passando por Nova Iorque, Denver, São Francisco ou Los Angeles. Sendo que a Costa Oeste dos Estados Unidos é um dos nossos objectivos para o próximo ano, fiquei com bastante vontade de o ler.


Um ano na Provence - Peter Mayle

Um Ano Na Provence

Ganhou o prémio de Melhor Livro de Viagem do British Book Awards e, diz quem leu, é bastante divertido. Conta a história habitual de alguém que largou tudo para começar uma nova vida noutro sítio. Neste caso, mais precisamente, no Sul de França.


A Praia - Alex Garland

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Podemos não conhecer o livro, mas muitos de nós já ouvimos falar no filme "A Praia", protagonizado por Leonardo DiCaprio. Fala-nos de um backpacker que parte em viagem para o Extremo Oriente e foi a grande causa do boom turístico desta zona. Lembram-se de termos falado dele quando fomos a Maya Bay?


Veneza - Jan Morris


Jan Morris (que publicou também com o nome de James Morris) é considerada uma das maiores autoras de viagem ainda vivas, hoje com 91 anos. Nos livros da autora, é feito um relato pormenorizado de cada uma das cidades a que se dedica, ou não fosse a própria uma historiadora. Não estamos a falar de um romance, mas da oportunidade de podermos aprender imensos detalhes sobre cada cidade. Neste caso, Veneza.


O Caminho Imperfeito - José Luís Peixoto

O Caminho Imperfeito

Neste livro, José Luís Peixoto leva-nos a descobrir a Tailândia, em mais uma viagem descritiva. Para acrescentar ainda mais valor a este livro, as ilustrações ficaram a cargo do talentoso Hugo Makarov. Eu fiquei com curiosidade. E vocês?


O Esplendor do Mundo - 99 destinos e experiências de viagem que me marcaram para sempre - Gonçalo Cadilhe

O Esplendor do Mundo

É um dos maiores e mais conhecidos viajantes portugueses e as suas experiências já valeram à literatura portuguesa inúmeros livros. Neste livro, fala dos 99 destinos mais marcantes: "mesmo aqueles que não vamos querer visitar", como diz o próprio autor.


A Volta ao Mundo em 80 dias - Julio Verne

A Volta ao Mundo em 80 Dias

É um dos grandes clássicos da literatura, sobejamente conhecido. Fala-nos de um aristocrata que aposta com os amigos conseguir dar a volta ao mundo em oitenta dias. De comboios, vapores, carruagens , e até mesmo elefante... será que conseguiu?


Se têm amigos que gostem de viagem ou que gostem de ler, estas podem ser óptimas sugestões de prendas de Natal. Ou, talvez, para oferecer uma viagem e um livro sobre ela?

Muitas vezes, focamo-nos tanto em poupar para a viagem propriamente dita (bilhetes de avião, comboio, hotéis, etc.) que acabamos por descurar alguns acessórios que nos fazem falta e que ajudariam a tornar a nossa viagem mais simples e, também, mais leve. Na lista de hoje apresento-vos algumas sugestões para acessórios de viagem:


- Almofadas de Viagem


Mesmo que tenham a maior facilidade em adormecer no avião, e a menos que viagem em executiva, os assentos não são os mais cómodos e adaptáveis a uma boa noite de sono. Por isso, existem no mercado várias opções de almofada de viagem - insufláveis, rígidas, com espuma de memória, com massagem, com música, com luz, etc. No nosso caso, optámos por umas com espuma de memória muito confortáveis. Um detalhe importante, que devem ter em conta, é a presilha para prender a almofada à mala/mochila. Dá muito jeito não termos que ocupar espaço dentro das malas com a almofada, nem termos que segurar nela durante todo o processo de validação dos bilhetes e de segurança. Convém também que seja lavável.

Esta Almofada de Viagem Gearbest, na imagem, é uma excelente opção.

Adaptador de Corrente

Conversor de carregamento de viagem multiuso
Consoante o destino, as tomadas podem apresentar diferentes configurações. Por isso, nada melhor do que um adaptador que funcione em todas as tomadas existentes, certo? Nós temos um muito leve e prático: um pequeno cubo de onde é possível extrair várias adaptações diferentes e também uma entrada USB, como este na imagem.
Se ainda por cima tiver uma bolsinha para o acondicionarmos na viagem, melhor ainda!

Bolsa Organizadora

 NatureHike Bolsa de Armazenamento de Viagem
É uma dica mais apropriada ao público feminino, mas dá muito jeito para ambos os géneros... Trata-se de uma bolsa organizadora de viagem e permite organizar os objectos pessoais em bolsas separadas e fechá-las como sendo uma bolsa só. 

Carteira de Viagem

NatureHike Carteira de Viagem
Este é um dos acessórios que está na minha lista há muito tempo, mas ainda não encontrei uma que me enchesse o olho. Estou a falar de uma carteira de viagem, com espaço suficiente para colocar o passaporte, os cartões de embarque, dinheiro, cartões, etc. 
É mais uma forma fácil de termos tudo à mão, minimizando a confusão de todos os processos de verificação no aeroporto!

Organizador de Cabos

Viagens de nylon sacola bolsa protetora caso para Eletrônica Digital acessórios
Acreditem, quando vi este acessório, pensei que é uma prenda ideal para Ele. Afinal de contas, como homem da tecnologia que é, levamos sempre uma série de cabos connosco (quilos?) e até já fomos parados na segurança para explicar o que era aquela "bola de cabos" que estava no fundo da mochila. Um organizador de cabos, com zonas individuais para os colocar e organizar, parece-me muito adequado!


Ferro de Viagem

Mini Handheld Electric Iron for Travel Business Trip
Ideal para o público feminino que gosta de andar sempre nos trinques, um ferro de viagem pode ser um óptimo presente de Natal. Convém que seja leve e pequeno, para que caiba facilmente em qualquer mala de viagem.

Talheres portáteis

AOTU AT6362 3 em 1 Colher Garfo Pauzinhos
Ideais de limpeza à parte, se costumam acampar ou viajar para países em que as regras de higiene e segurança não estão próximas das nossas, de certeza que já vos passou pela cabeça que "dava jeito" ter os nossos talheres ali à mão. A nós aconteceu-nos em Hong Kong e felizmente desenrascámos uns pauzinhos descartáveis. Este kit de talheres vem resolver esse problema, completamente! 


Sacos de Organização

6 em 1 Mochila para Viagem ao Ar Livre

Ao fazer a mala, gosto de rentabilizar ao máximo o espaço fazendo "tetris" com as várias peças. No entanto, há quem prefira separar todas as peças por tipo e colocá-las em zonas distintas da mala. Para esse tipo de pessoas, bolsas organizadoras podem ser uma grande ajuda. Há vários modelos: transparentes, estampados, com frases engraçadas, em rede, etc. É só escolher!


São opções muito simples e, na sua maior parte, bastante económicas. E, mais do que tudo, são prendas úteis e que qualquer amante de viagens vai sem dúvida utilizar.



Pois, não estava planeado. Não estava na nossa lista de objectivos. Nem sequer estava pensado lá ir. 
Mas com a hipótese de passar 3 horas ou 12 horas de escala em Toronto, a escolha é um bocado óbvia, não? Escolhemos as 12 horas de escala e carregámos, durante 9 dias em Cuba, um casaco de penas e roupa bem quente na mala. Preparámos um roteiro modesto e exequível com temperaturas negativas e lá fomos nós.

O acesso à cidade, a partir do aeroporto, é bastante simples: o UPEXpress põe-nos em Union Station em menos de 30 minutos. Os preços já não são assim tão simples, mas já lá iremos. Como viajávamos com mochilas, optámos por não as despachar para o porão e utilizámos o serviço de cacifos do Aeroporto Pearson International, promovido pela Samsonite. Tudo muito simples e fácil mesmo para quem tinha acordado em Havana às três da manhã com 30º e tinha caído de paraquedas nos frios -2º de Toronto.

Da cidade, conseguimos ver quase todos os pontos principais. Mesmo aqueles que estavam no roteiro como uma hipótese vaga (e bem que valeram a pena). A cidade é plana e bem organizada, os pontos turísticos não estão assim tão afastados uns dos outros e depois de Nova Iorque com sensações térmicas de -18º como nos aconteceu há quase três anos, os meros -2º de Toronto são para meninos.

O que nos fica? A CN Tower, claro. Tanto vista cá de baixo, tão estreita e imponente, omnipresente um pouco por toda a cidade, a espreitar por entre arranha-céus ou do telhado de casas geminadas em tijolo, nas zonas residenciais. E lá do alto, também. A vista perfeita a 360º para toda a cidade, os vários pisos com diferentes tipos de vista: seja em janela panorâmica (a 346metros do chão), seja aberto e em rede (no Skypod, a 447 metros do chão) e também aquele momento inesquecível em que percebemos que temos os pés assentes em vidro, a 342 metros do chão. 

É uma cidade muito simpática, mas cara. Para terem uma noção, o que gastámos num dia em Toronto dava para pagar os nossos almoços e jantares durante praticamente uma semana em Cuba. Mas sobre isso voltaremos a falar mais tarde, quando lançarmos o roteiro de Toronto.

Por enquanto, ficam com o nosso pequeno resumo deste que foi o nosso último destino de 2017.

Na nossa buckelist de viagens, Cuba esteve sempre no topo. Mais por minha causa, já que para mim sempre foi um sonho. Ele esteve em Cuba há cerca de oito anos, no habitual pacote "Havana + Veradero" e não se importava de repetir. Eu queria muito ver Havana ainda com o seu glamour intacto, antes de deixar entrar o mundo moderno pela porta adentro, e tínhamos noção que não poderíamos demorar muito tempo.

Durante muito tempo, pensámos em comprar um pacote "Havana + qualquer outro destino de praia", para que não fosse uma repetição completa para ele (se é este o vosso objectivo, este é um dos poucos casos em que reservar com uma agência compensa). Depois, graças à C., amiga da minha irmã, abriu-se um novo horizonte. Ao jantar, ela falou-nos de como havia imensos turistas que alugavam carros e percorriam várias cidades de Cuba, fugindo aos roteiros mais turísticos. Soaram sininhos nas nossas cabeças e no dia seguinte estávamos agarrados ao computador, a pesquisar...


Desde Janeiro que andámos, afincadamente, a planear a viagem propriamente dita. Esteve para acontecer em Abril, depois adiámos para Junho e acabou por ser novamente adiada para Dezembro. Ainda antes de embarcarmos para Itália, encontrámos uma óptima oportunidade da AirCanada e comprámos o voo. O percurso, esse, há muito que estava definido e trabalhado. Recorremos aos serviços do grupo YOANDO, muito recomendado entre viajantes, que nos proporcionou um serviço completo de guia, motorista e reserva de alojamentos locais, tudo personalizado de acordo com os nossos interesses e objectivos. Pode parecer estranho fazer uma roadtrip com motorista, mas em Cuba tem imensas vantagens:

- é mais barato do que alugar um carro;
- livra-nos de todas as implicações legais (por exemplo, se estivermos envolvidos num acidente com feridos ou mortos não podemos abandonar o país até que o processo esteja terminado em tribunal, o que pode levar anos..);
- as estradas são mal sinalizadas e os postos de combustível são raros;
- só alguém local conhece todas as "pérolas" que devemos incluir no roteiro;
- e, last but not least e, quiçá, a mais glamourosa: fazê-lo num clássico cubano;
Convencidos?

Graças aos serviços do grupo YOANDO tivemos também a oportunidade de ficar alojados, em Havana e Trinidad, em casas de cubanos - alojamentos locais. Este tipo de alojamento é muito comum em Cuba, apesar de muitos de nós não termos conhecimento. Como é óbvio, os luxos não são os mesmos do que num hotel, e nem era isso que procurávamos. E a amabilidade e cuidado com que nos recebem e as dicas locais fazem muita diferença na forma como vivenciamos a viagem. A querida Nora, que nos recebeu em Havana, preparou-nos pequenos-almoços magníficos e ainda deixou que Ele ajudasse na cozinha, a preparar os ovos mexidos de que tanto gosta.

Por muitas e variadas razões, não tive tempo suficiente para pesquisar para esta viagem como gosto de fazer sempre e o acompanhamento do Basílio, o nosso motorista, foi imprescindível. Além de que teve o cuidado de nos levar a sítios que não estavam inicialmente planeados e que sabia que iríamos gostar. E a Dailis, que nos acompanhou na visita a Havana, ensinou-nos imenso sobre a história, a cultura e a política do país. 

Estamos ambos muito satisfeitos por termos fugido ao habitual Havana+Varadero. Acho que, dessa forma, Cuba teria sido uma desilusão. É certo que Havana é apaixonante, continua a modos que parada no tempo e grita cultura por todos os lados. Mas estamos a falar de uma Havana em que já se bebe Coca-Cola em cada esquina, onde se constroem hotéis modernos e as pessoas têm iPhones, ao contrário do que esperaríamos.
Cuba tem tanto mais do que isto para nos mostrar... As ruas idílicas de Cienfuegos, com a torre minúscula onde só cabe uma pessoa a servir de miradouro para toda a cidade. As cores e a música de Trinidad, nas ruas deliciosamente acidentadas. As zonas naturais repletas de verde e ar puro, com paisagens a perder de vista. O peso da história em Santa Clara, cheia de marcas da Revolução. A praça central, digna de cenário de filme de tão bem conservada que está, em Remedios. As maravilhosas praias dos Cayos, muito menos pejadas de turistas. E isto é apenas uma pequena amostra, dentro daquilo que nos foi possível visitar em 9 dias de férias. Voltámos a Portugal, mas cheios de vontade de conhecer Viñales (a Oeste) e toda a zona Este de Cuba.

E por falar em Portugal, terminamos esta viagem com a ideia nítida de que o turismo em Portugal ainda se limita muito aos pacotes turísticos. Em muitos dos sítios por onde andámos, fomos recebidos com espanto por sermos portugueses, pois não é nada comum. Num dos sítios mais bonitos a que fomos, garantiram-nos sermos os primeiros portugueses que por ali passavam. Não queremos acreditar...
Agora, no regresso, também não queríamos acreditar quando fizemos contas e percebemos que esta nossa aventura de 9 dias ficou mais barata do que um pacote "Havana + Varadero" numa qualquer agência de viagens!

Para responder às várias questões que nos têm colocado e também para vos mostrar o que Cuba tem para vos oferecer, vamos colocar toda a informação muito brevemente no blog. Já que não podemos voltar já já, ao menos matamos as saudades a rever estes dias fantásticos.

Let's run away?

Aí vamos nós. Mochila às costas, planos traçados e várias cidades por descobrir.
Cuba espera por nós e nós estamos meeeesmo a precisar destas férias. Nos próximos dez dias vamos descobrir Havana, Cienfuegos, Trinidad, Santa Clara e terminar a banhos em Cayo Santa Maria. Tudo isto num carro clássico cubano, para fazermos a viagem no melhor estilo. Mas temos outra cidade no nosso roteiro (novidade!)... Vamos aproveitar as doze horas de escala, no regresso, para conhecer Toronto. Não teremos tempo suficiente para uma ida às Cataratas de Niagara - fica para uma próxima - mas a CN Tower não nos vai escapar, nem com as previsões de -2º. 

Esperamos conseguir, pelo menos, ligações breves à internet para vos ir mostrando o nosso percurso. Sigam o nosso instagram e não percam pitada desta nossa aventura.

Let's Run Away? Nós estamos quase a embarcar!

Portugal ardeu.

Eu sei, não é novidade. Inclusivamente, aconteceu duas vezes este ano. Lemos as notícias, vimos as imagens na televisão e nos jornais, ouvimos relatos emocionados. Cada um, acredito, fez o que pôde para ajudar quem mais precisava. E aos poucos fomos esquecendo o que se passou. Mas só quando pomos os olhos na realidade é que nos "cai a ficha" do que realmente aconteceu. E este fim-de-semana, nesse sentido, foi muito duro.

Somos um povo tendencialmente solidário. "Quando arde Tábua, arde a minha casa", como disse Ricardo Araújo Pereira no espectáculo "Uma Conversa Sobre Assuntos", ao qual assistimos em Tábua. Aliás, foi exactamente esse espectáculo e essa solidariedade que nos levaram até ao centro de Portugal na sexta-feira à noite. Queríamos participar, queríamos presenciar este momento de altruísmo de um humorista que tanto admiramos e simultaneamente ajudar quem perdeu um pouco ou tudo do que tinha. 

Como vos disse, saímos do escritório à pressa ao final da tarde de sexta-feira e fizemo-nos à estrada em direcção ao Pavilhão Multiusos de Tábua. A adesão ao espectáculo foi tão grande que foram obrigados a alterar para um espaço maior do que a sala inicialmente prevista e às 21h30 (chegámos poucos minutos antes) estávamos, juntamente com outras centenas de pessoas, ali para ajudar. Porque fazer rir também é ajudar, e acredito que aquela noite foi uma autêntica lufada de ar fresco para muitas pessoas.
À noite, pelas estradas, já era possível perceber que a devastação era muita, que as marcas estavam bem presentes e que o ar, passado mais de um mês, ainda cheirava a queimado. Mas só o amanhecer nos trouxe as imagens nuas e cruas do que aconteceu ao centro de Portugal.

Tínhamos planeado aproveitar o sábado para passear e conhecer ou recordar algumas das aldeias mais características do nosso país. Passei muitos verões naquela zona, em férias animadas com a família materna numa casa na zona de Oliveira do Hospital que o tempo nos levou. Tudo me traz muitas memórias de infância - Avô, chapinhar na Fraga da Pena, banhos na praia fluvial de Coja, o Piodão com um calor abrasador e a famosa ponte das três entradas que faz as delícias de qualquer criança. Juntámos a esse roteiro a Foz d'Égua e a Aldeia das Dez, novas descobertas para ambos.

Acordámos nas Casas Vale Martinho, rodeados de silêncio e de verde. Ouvimos falar, claro, de como o fogo esteve ali à porta e foi preciso combatê-lo (com sucesso, felizmente) com o que havia à mão. Depois, fizemo-nos novamente à estrada. E aí, com o claro do dia, doeu. Doeu ver tudo queimado, destruído, negro. Doeu o cheiro a queimado que nos entrava pelos pulmões naquela zona onde é habitual inspirarmos, com prazer, o ar puro. Não consigo - nem seria suficiente - retratar tudo em palavras. Há zonas onde os rails da estrada deformaram, onde o alcatrão derreteu. Aldeias onde as redes telefónicas só serão repostas em Fevereiro, na melhor das hipóteses. Entre Aldeia das Dez e o Piodão há dezenas e dezenas de quilómetros onde não se vê um único centímetro de verde, só negro. E depois, no meio, por milagre, uma casa impávida e serena, como se não tivesse passado por ali o maior incêndio de que haverá memória. Não queremos imaginar o que terá sido estar ali, a salvá-la. No Piodão, contam-nos que apenas não ardeu a aldeia inteira porque o vento foi amigo - estiveram cerca de um dia a ver as chamas enormes a lutarem contra o vento, que as impedia de baixar a encosta. O Piodão é, aliás, a única zona por onde passámos que se mantém verde.

Ao final do dia, quando regressávamos a casa, foi preciso abrir as janelas do carro em plena autoestrada: o cheiro intenso a queimado estava impregnado no interior do carro e também em nós. E as imagens, na nossa memória e no cartão SD da máquina fotográfica, não nos deixam esquecer o que vimos e como nos marcou.


Vamos, claro, mostrar-vos o bonito que vimos nesta viagem e as aldeias deliciosas que conhecemos. Até porque há imagens que são uma autêntica vaga de esperança e nos mostram que o nosso Portugal é, sempre, lindíssimo. 
Vamos também continuar a fazer o possível para ajudar. E disse-nos um passarinho que em 2018 haverá mais espectáculos do Ricardo Araújo Pereira pelas zonas afectadas pelos incêndios - algumas zonas não puderam responder atempadamente ao convite para o receber, devido às falhas nas comunicações.


Eis o grande motivo para termos ido ao Porto este mês: a exposição "The World of Steve McCurry", na Alfândega do Porto. Não foi a primeira exposição que vimos deste fotógrafo e já sabíamos ao que íamos, mas ainda assim fomos surpreendidos pela qualidade. A escolha das fotos, a sua colocação e a iluminação estão brilhantes. 

Um dos pontos que mais gosto nas fotografias de Steve McCurry é a forma como capta o olhar nos seus retratos, com olhares penetrantes e inesquecíveis. E esta exposição está cheia de retratos magníficos, nos mais variados destinos do mundo. Além disso, tem a mais valia de 50 das fotografias presentes terem comentários áudio do próprio Steve McCurry, explicando como tirou aquela fotografia, qual a história que lhe está associada ou por que razão a escolheu para a exposição. E, repito, a escolha das fotografias e o seu posicionamento foi sublime. Se num momento estamos derretidos com fotografias ternurentas, ou com a explicação sobre como um momento aparentemente perigoso não passa de um retrato pacífico do dia-a-dia de uma família, no momento seguinte estamos revoltados com uma criança que aponta uma arma à sua própria cabeça, ou com animais no meio de um desastre natural. Se a imagem é a forma mais fácil de passar uma mensagem, esta selecção de fotografias é muito rica na quantidade de mensagens que nos passa. E na forma como nos faz conhecer o mundo, nas suas várias culturas e costumes.
A exposição é aconselhável não só para quem gosta de fotografia mas também para quem gosta de viagens e conhecer diferentes culturas. E mais ainda se, como nós, juntam estas duas paixões.

Na última sala da exposição têm oportunidade de ver um filme sobre a busca, após dezassete anos do primeiro retrato, pela menina afegã que colocou Steve McCurry nas bocas do mundo e em inúmeras capas da National Geographic. Como se encontra alguém de quem nem sequer sabemos o nome, num país como o Paquistão? Os retratos de Sharbat Gula - assim se chama a menina, agora mulher - estão presentes mais do que uma vez na exposição. Mas o resto terão de ver o filme para descobrir...




A exposição The World of Steve McCurry está na Alfândega do Porto até 31 de Dezembro de 2017, de segunda a sexta feira entre as 10h00 e as 18h00 e aos sábados, domingos e feriados entre as 10h00 as 19h00. Os bilhetes custam 11,00€ para adultos, mas há preços especiais para crianças (7,00€), séniores ou estudantes (9,00€) e famílias (32,00€ para dois adultos e duas crianças, 6,00€ por cada criança extra). Podem adquiri-los directamente no local ou online, através da Ticketline.

Se no final da exposição ficarem com vontade de saber ainda mais sobre o trabalho deste fotógrafo e sobre as histórias por detrás de cada fotografia, um dos livros à venda na é "Untold. The Stories Behind the Photographs", da Editora Phaidon. Na Amazon.es (link aqui), este livro está à venda por 18,95€ enquanto que na exposição o preço de venda é de 49,50€! Nós já temos um lá em casa, claro!