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Roteiro: Estrada Nacional 2 - Dia 1


Fazer a Estrada Nacional 2 é um desafio para qualquer tipo de viajante e para todas as idades, sem restrições. Como já vos dissemos, é também um caminho para todo o tipo de transporte: carro, bicicleta, caravana, mota, etc. E é uma montra imperdível do nosso Portugal, que nos permite conhecer o nosso país de uma forma muito original e vê-lo, literalmente, a passar à frente dos nossos olhos.


Sendo um passeio tão ecléctico, esta não é "a forma" de o realizar. É apenas a forma como nós escolhemos fazê-lo e, após muitas noites a estudar o percurso, a forma como achámos que seria melhor dividir o trajecto. Hoje, depois de fazermos a viagem, teríamos alterado algumas coisas, mas o primeiro dia esteve bem assim!

E o que fizemos no primeiro dia?
Começámos, bem cedo, a acordar nas Casas da Vinha Velha (podem ler a nossa opinião aqui). Tínhamos feito a viagem Lisboa - Chaves na noite anterior e a D. Odete foi muito atenciosa e ficou à nossa espera até depois da meia noite, a hora a que conseguimos chegar. De manhã, assim que acordámos, esperava por nós uma varanda com vista para a serra e com os ares frescos e puros do campo, que nos fez esquecer que o despertador tinha tocado cedo. O fantástico pequeno-almoço que tínhamos à nossa espera deu-nos energia para o dia e iniciou-nos nos fantásticos Pastéis de Chaves.

Do alojamento, partimos para o Centro de Chaves, apenas a alguns minutos de carro. Começámos, em grande, a saltitar nas Poldras do Rio Tâmega (não é tão fácil quanto parece, garanto-vos) e daqui seguimos para o Jardim Público de Chaves. Estacionámos aí perto e fizemos todo o resto do percurso no centro histórico de Chaves a pé.



Mesmo ao lado do Jardim Público de Chaves, encontramos a famosa rotunda onde está o Marco Zero, que assinala o início da Nacional 2. Aproveitámos a proximidade para lá passar a pé e tirar algumas fotos, antes de lá iniciarmos o percurso de carro.  


Daqui, atravessámos a Ponte Romana de Chaves e entrámos no Centro Histórico, com as típicas varandas que tão bem o identificam. A arquitectura da zona é bastante característica e, a um sábado de manhã, as ruas estavam cheias de vida. Muita gente nos seus passeios diários e também turistas que, como nós, aproveitavam o passeio.


Um dos pontos que pretendíamos visitar era o Aquae Flaviae, que se encontrava fechado e com um ligeiro ar de abandono... Alguém consegue explicar?


Na Praça de Camões, bem no centro histórico, encontramos alguns dos principais edifícios da cidade: a Igreja da Misericórdia, a Santa Casa da Misericórdia, a Câmara Municipal de Chaves e a Igreja Matriz, abaixo na foto. 


Por trás da Praça visitámos o Castelo de Chaves, aproveitando para subir à Torre de Menagem com uma fantástica vista. A entrada custa 1€, a vista vale muito mais do que isso.



Antes de abandonar-mos Chaves e nos fazermos aos quilómetros da Nacional 2, abastecemos na D'Chaves: Pastéis de Chaves quentinhos, acabados de sair do forno. Estavam deliciosos! Podem ler mais informação sobre a D'Chaves aqui.

A manhã já ia longa - não quisemos sair de Chaves sem aproveitar minimamente a cidade - mas tínhamos muitos quilómetros pela frente e pouco tempo a perder. Iniciámos a EN2, entre algazarra e buzinadelas, no Quilómetro Zero e fizemo-nos à estrada rumo ao próximo destino: Vidago

Confesso-vos que Vidago trouxe-me a primeira desilusão da viagem... Assim que falámos em Vidago informei logo o grupo que queria parar na fotogénica Estação de Comboios de Vidago, que vejo regularmente em fotografias antigas. E agora, só mesmo nas fotos antigas, pois foi restaurada e transformada em Balneário Pedagógico. Limpa, pintada de fresco mas descaracterizada e sem o antigo painel de azulejos que lhe era tão característico.


Desilusões à parte, a avenida que nos leva ao Vidago Palace é lindíssima e termina em algo ainda mais bonito: o próprio Palácio. Apesar de agora estar transformado em hotel de luxo, proibido a algumas carteiras, os jardins são de entrada livre e valem a pena a visita. Não se esqueçam de aproveitar para provar a água: na Nascente Número 1 estará alguém à vossa espera para vos oferecer um copo de água directamente da Nascente. Isto se não chegarem à hora de almoço, como nós...



O nosso objectivo inicial era almoçar em Chaves, mas achámos por bem adiá-lo para Vidago e fizemos muito bem. A Tasca do Quim Barbeiro estava à nossa espera para um almoço delicioso, com carne tenra e suculenta. Podem ler a nossa opinião sobre este restaurante no Let's Eat Away (aqui).

A primeira paragem depois de almoço foi nas Termas das Pedras Salgadas, no Parque Pedras Salgadas Nature & Spa. É aqui que se localiza a Nascente da famosa Água das Pedras - existe até uma esplanada onde a podem beber - e um hotel com casas originais que já lhe valeram prémios internacionais. Os jardins circundantes valem a pena a visita, e podem aproveitar para procurar as várias fontes que estão ao longo do percurso.



Para visitar o próximo ponto tivemos que nos afastar, pela primeira vez, do traçado da Estrada Nacional 2 - até aqui, todos os pontos que visitámos a partir do momento em que partimos do Quilómetro Zero estão, efectivamente, na rota da estrada. Tomámos, ao longo da viagem, algumas vezes a decisão de nos afastarmos ligeiramente do roteiro, mas sempre a distâncias curtas e com objectivos que fizessem sentido na nossa viagem. 

O Castelo da Pena de Aguiar, o ponto de que vos falo agora, permite-nos ter uma visão panorâmica de toda a região e até ver a Estrada Nacioanl 2, a passar lá em baixo. A estrada de acesso encontra-se em boas condições, o castelo nem tanto, mas se pensarmos que remonta à época dos visigodos, percebemos que as paredes que temos à nossa frente nos contam anos e anos de história do nosso país. Algumas obras mais recentes instalaram a escada de acesso, um centro interpretativo e até um varandim de onde podemos aproveitar a paisagem.



Mantendo-nos nas redondezas mas afastados da rota, seguimos daqui para o Fojo do Lobo da Samardã. O guia da Foge Comigo! garantia-nos uma vista impagável, mas as chuvas dos últimos dias tornaram o caminho inacessível e vimo-nos obrigados a desistir. Ainda assim, deixo-vos um registo do caminho que fizemos até lá:


A rota da Estrada Nacional 2 foi retomada e trouxe-nos a primeira de várias surpresas: a Aldeia de Vilarinho da Samardã, tão cheia de carisma. Foi aqui que Camilo Castelo Branco passou "dias felizes da sua vida" e nós percebemos porquê: chegámos e tivemos vontade de ficar ali. Há espigueiros lindos, há rebanhos de ovelhas, ruelas estreitas por entre casas de pedra... E por falar em casas, há também a Casa de Camilo Castelo Branco, por onde o escritor passou e que refere em vários dos seus textos. 
À saída, há também um curioso Monumento ao Emigrante que não pudemos deixar de fotografar.





Retomando a estrada, abandonámo-la a seguir à Aldeia de Escariz para vermos as Gravuras Rupestres do Alto da Mão do HomemPara lá chegar, seguimos as indicações que encontrámos aquiNão foi fácil encontrá-las e valeu-nos a simpatia dos habitantes locais, que nos explicaram que era uma rocha no meio de um parque de merendas, onde era possível identificar uma mão gravada na rocha. 


Chegámos, depois, ao último destino do dia: Vila Real. A tarde já ia longa e depois de lancharmos na Casa Lapão - experimentámos os três doces tradicionais, claro: cristas de galo, pitos e covilhetes - visitámos os principais pontos turísticos. Começámos, no centro histórico, pela Capela Nova e pela Igreja da Misericórdia:




Caminhámos, a pé, até à Vila Velha (abaixo, na foto) e espreitámos o bonito Cemitério (sim, os cemitérios podem ser bonitos!) e o Rio Corgo, que corre cheio de força mesmo ali ao lado. 


Terminámos o passeio por Vila Real na , também conhecida como Igreja de São Domingos. E depois, ao cimo da rua, temos novamente a Estrada Nacional 2 nos nossos pés e estamos prontos para seguir caminho.


A Nacional 2 ainda nos reservava alguns quilómetros até chegarmos a Peso da Régua, onde dormimos. A chuva fez-nos companhia neste último troço do caminho do primeiro dia, não nos deixando aproveitar a paisagem pelo caminho. Na chegada à Régua deliciámo-nos com o jantar na Taberna do Jéréré (podem ler a nossa opinião aqui) e com a maravilhosa vista que o nosso apartamento, reservado através do AirBnb, nos oferecia para o Rio Douro.

Apesar de este ter sido apenas o primeiro dia de viagem, e também o dia com menos quilómetros percorridos - a Norte, a Estrada Nacional 2 tem uma maior concentração de pontos turísticos na rua rota - foi suficiente para que o efeito deste passeio se começasse a entranhar-nos: Portugal é lindo, e merece ser visto de todas as maneiras. A Estrada Nacional 2 é, como já dissemos várias vezes, uma montra maravilhosa do que Portugal tem de melhor. E, mesmo com poucos quilómetros percorridos, isso já era visível.


Curiosos com o resto do percurso? Contamos tudo brevemente, prometo! 

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