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Roteiro: Estrada Nacional 2 - Dia 2


Acordar na Régua, com vista para o Douro e para as lindas vinhas que desenham a paisagem, é coisa para encher qualquer um de energia. O apartamento em que ficámos, reservado através de AirBnb (podem ler a nossa opinião aqui) era confortável e, bem cedo, saímos em direcção ao café mais próximo, que anunciava pão quente e produtos típicos. Havia, no grupo, quem não funcionasse antes de ingerir café, e portanto este foi sempre um ponto de extrema importância no nosso roteiro. 

Agora que já vos expliquei como começámos o dia a comer rebuçados da Régua às oito da manhã, posso voltar ao passeio propriamente dito...

A localização do apartamento era mais do que privilegiada e, portanto, não tivemos que nos deslocar muito até ao primeiro ponto: as várias pontes, Ponte Ferroviária do Corgo, Ponte Metálica, Ponte Rodoviária da Régua




A vista é linda e nem a chuva nos afastou. Afinal de contas, as pontes são extremamente fotogénicas e toda a gente se pela por umas fotografias de simetria hoje em dia - a chamada geração do Instagram! Quando a chuva se tornou mais "torrencial", seguimos no carro até às paisagens protegidas do Alto Douro Vinhateiro, cruzadas pela Estrada Nacional 2 em largos quilómetros. É nesta zona que a Estrada Nacional 2 se cruza com a Estrada Nacional 222 e muitos viajantes se desviam do traçado para percorrerem alguns quilómetros daquela que já foi considerada a melhor estrada do mundo. 


Mesmo com o título de "melhor estrada do mundo" e visto que o tempo estava contado, a Estrada Nacional 222 ficou para uma próxima viagem e seguimos viagem em direcção ao próximo ponto: Lamego. Apesar de não ter sido uma estreia (acho que nenhuma das grandes localidades o foi), confesso que foi uma agradável surpresa. É muito acolhedora e, na calmaria de um domingo de manhã, as ruelas até ao Castelo conquistaram-nos. 

Em Lamego visitámos a Fonte de Lamego, o Castelo, a Cisterna e, claro, o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios. A chuva forte afastou os planos de subir toda a escadaria, e as nossas pernas agradeceram. 










A vista do Castelo deixa-nos perceber o contraste entre o desenvolvimento da cidade e os contornos das colinas, cheias de vinhas. Já do Santuário, mais pequeno do que se poderia imaginar, fica a curiosidade de saber que a escadaria é atravessada pela própria Estrada Nacional 2. Sabiam?

Pelo sim, pelo não, apesar de não ter havido subida a pé... não deixámos lá o farnel e comprámos uma magnífica Bôla da Aldeia no Largo principal. Aselhas, não apontámos o nome da loja, mas é a primeira do lado esquerdo, quem está de frente para o Santuário. Confuso? Desculpem... mas a bôla vale muito a pena!


Outra coisa que podem fazer antes de sair de Lamego, bem na rota da EN2, é visitar as Caves da Raposeira. O nosso plano era comprar uma garrafa de champanhe para abrir no quilómetro final, em Faro, mas as caves estavam fechadas por ser domingo. Se fizerem o trajecto noutro dia da semana, não percam a oportunidade! Principalmente se forem de bicicleta... um banho de champanhe à chegada dá muito mais piada.




Além dos pontos que levávamos previamente assinalados, ao melhor estilo "a não perder", a Estrada Nacional 2 trouxe-nos agradáveis surpresas e paisagens imperdíveis, daquelas que nos fazem parar o carro imediatamente. A Ponte sobre o Rio Balsemão foi uma delas. É uma zona em que facilmente se pára na berma ou nas saídas laterais, com boa visibilidade e a paisagem merece a nossa atenção e um pouco de exploração das redondezas.


Depois, arranquem com calma. Ou então vão deixar passar uma das placas mais imperdíveis da viagem: Colo do Pito. Mas há mais destas, ainda hoje, para descobrir...


O próximo ponto levou ao maior desvio do traçado original da EN2 que fizemos em toda a viagem. Mas, se querem que vos diga, foi dos que mais valeu a pena. Isto se esquecermos a aventura que foi para lá chegar de carro: pneus a resvalar, estradas demasiado estreitas e curvas fechadas capazes de nos levar a pensar "Ai, isto não vai correr bem.". Mas correu, e chegar à Ermida do Paiva, depois de ouvir o Rio Paiva a passar cheio de força no vale, é como entrar num cenário de conto de fadas. Tudo é verde, tudo tem um ar deliciosamente antigo e até restos de confettis no chão havia, para dar mais cor à paisagem. É um desvio de meia hora, que poderão optar por fazer ou não. Se fosse hoje, nós voltávamos a fazê-lo, sem espaço para dúvidas.





Com tanta paragem, já íamos atrasados para o almoço e em Castro Daire parámos apenas para comprar bolo podre. As piadas sobre o facto de estar podre duraram durante toda a viagem, o bolo é que não. Apesar de podre, estava delicioso! 


Na rota da EN2 cruzámo-nos também com as Termas do Carvalhal. Depois de Vidago e Pedras Salgadas no primeiro dia de viagem, confessem lá que já não estavam com saudades de termas?



Pela hora de almoço, chegámos a Viseu. Depois de seguirmos directos até à Quinta da Magarenha, onde a vitela estufada esperava por nós (podem ler a nossa opinião aqui), visitámos os principais pontos da cidade da melhor forma que pudemos. O facto de estar a decorrer a Benção das Fitas, em plena Semana Académica, não ajudou... é um facto.
Ainda assim, não quisemos perder a Cava de Viriato, o Largo da Feira de São Mateus, de onde apanhámos o funicular até à zona do Museu Grão Vasco e da Sé Catedral de Viseu, que não pudemos visitar por dentro devido à Benção. 



Descemos, depois, até à Porta do Soar e seguimos em direcção à Confeitaria Amaral, onde nos abastecemos de "viriatos" e "rotundinhas". Sim, passámos o dia a comer. É verdade.




E partimos, novamente, em direcção a novos pontos. A própria rota da Estrada Nacional 2 é muito bonita e só é pena que não dê para parar o carro sempre que nos apetece tirar uma foto. Aposto que quem a conhece sabe os pontos exactos onde parar, para nós que a percorremos pela primeira vez houve um rol de "pára pára pára!!" seguidos de "aqui não dá". 

Quem conheceu desde sempre estas paragens foi Salazar, nascido em Santa Comba Dão, numa casa em plena Estrada Nacional 2. Parámos para uma fotografia na Casa onde nasceu Salazar. Já vos avisámos: a EN2 está cheia de surpresas... 



Pouco depois, cruzamo-nos com a zona mais complicada da estrada: parte da estrada está submersa devido à Barragem da Aguieira e é preciso subir ao IP3 e voltar a descer, para apanhar novamente o traçado original da EN2. Nada que não se faça sem problemas, mas é preciso prestar atenção. 

E vale a pena não seguir pelo IP3 mais do que escassos minutos, pois temos as belas paisagens da Barragem da Aguieira e a Livraria do Mondego, ali nas margens da EN2. 





Chegámos à Serra da Lousã, atravessada pela Estrada Nacional 2, e foi aqui que decidimos fazer outro desvio. Estão muito perto do traçado da EN2 quatro deliciosas aldeias do xisto - Comareira, Aigra Nova, Aigra Velha e Pena - e, mesmo apesar de o dia já estar próximo do fim e estar a escurecer, não quisemos deixar de as visitar.
Gostámos tanto que vamos querer voltar e percorrer os diversos trilhos que ligam as aldeias.






Daqui, fizemos os quilómetros restantes até Pedrogão, onde fomos dormir. Pelo caminho, cruzámo-nos com duas das mais icónicas placas de Portugal: Picha e Venda da Gaita. Ficam ambas assim, de seguida, em plena Estrada Nacional 2. Imperdível!


Não fechámos o dia sem antes experimentar algumas das iguarias da região. Jantámos no Restaurante Lago Verde (de que vos falaremos brevemente), que nos serviu uma deliciosa sopa de peixe e bucho. Depois, recarregámos baterias no Hotel da Montanha, com uma vista deliciosa para as paisagens do Centro de Portugal, com o verde a ser devolvido, aos poucos, ao panorama.

O segundo dia de viagem foi o afirmar daquilo que a Estrada Nacional 2 é: uma montra daquilo que é mais tradicional no nosso país. E apesar de não termos chegado a meio do traçado, por esta altura esta viagem já nos tinha dado tanto...


No terceiro dia percorremos a EN2 de Pedrógão até Ferreira do Alentejo. Estamos quase a contar-vos tudo, fiquem atentos!


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