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Roteiro: Estrada Nacional 2 - Dia 3


O terceiro dia começou no Hotel da Montanha (de que já vos falámos aqui), com uma vista soberba sobre Pedrógão (o Grande e o Pequeno, que nos confundimos sempre a distinguir) e um pequeno-almoço muito bem recheado. Estivemos divididos entre o cansaço que já se ressentia no corpo aliado à vontade de experimentar o SPA e a enorme vontade de nos fazermos à Estrada e continuar a descobri-la. Os dois primeiros dias - a etapa Chaves - Peso da Régua (aqui) e a etapa Peso da Régua - Pedrógão (aqui) - foram muito preenchidos e suficientemente bem recheados para nos dar vontade de só parar no último quilómetro, em Faro.


Talvez por já estarmos a prevê-lo, o primeiro ponto do roteiro do terceiro dia foi estrategicamente colocado... ao lado do Hotel. Falo-vos do Miradouro da Senhora da Confiança, com uma linda vista e onde se encontra a Ermida de Nossa Senhora da Confiança. Diz-se que, em dias de céu limpo, além da Serra da Lousã é possível avistar até a Serra da Estrela.



Daí, descemos até à Barragem do Cabril - se nos perguntarem o que mais vimos durante toda a travessia da EN2, dizemos "barragens" sem hesitar - e apreciámos as vistas sobre o Rio Zêzere. Na zona centro de Portugal doeu-nos o coração ver a área ardida nos grandes incêndios de 2017, mas aqui o nosso coração alegrou-se com tanto verde.


Atravessámos as margens até Pedrógão Grande onde visitámos o Pelourinho e a Igreja Matriz, a Capela do Calvário (na foto abaixo) e a Capela de Nossa Senhora dos Milagres (também nas fotos), no topo de uma grande escadaria.



Depois, começou a aventura. O nosso plano era partir de Pedrógão Grande, por um trilho pedestre, até à Ponte Filipina que une as margens dos dois Pedrógãos. Por termos feito esta viagem depois de uma altura de chuva abundante, o trilho estava fechado... Procurámos, rapidamente, alternativas, e percebemos que existia uma estrada de pedra, transitável, em Pedrógão Pequeno. O que não percebemos foi que a estrada, estreita, derrapante e aos "esses", não era o sítio mais indicado para enfiar o carro. 
A verdade é que conseguimos lá chegar e, com muita habilidade do condutor, até fizemos inversão de marcha antes de ir embora. Pelo meio, ficámos lá largos minutos a apreciar a ponte mas também a paisagem e os diversos trilhos que partem das suas extremidades. Este é um dos lugares mais bonitos que vimos em toda a viagem...


Caso queiram ver a Ponte Filipina de longe, podem fazê-lo no Miradouro Moinho das Freiras, de onde são tiradas as muitas fotos da Ponte que vimos por esta internet a fora.

Partimos daqui para a Sertã, onde visitámos o Castelo e a Igreja Matriz de São Pedro. A torre de cinco quinas do Castelo torna-o raro no nosso país.


Seguindo, sempre, na Estrada Nacional 2, chegámos ao Centro de Portugal. Mais concretamente, ao Centro Geodésico de Portugal, em Vila de Rei. A entrada é gratuita e a paisagem é impagável, garanto-vos. Tivemos imensa sorte com o tempo e o céu limpo permitiu-nos ver, a partir do Miradouro o Alentejo e a Serra da Estrela.




Depois, a segunda aventura do dia. Quisemos desviar da Estrada Nacional 2 até ao Miradouro de Fontes, mas o GPS indicou-nos um caminho em terra batida, durante vários quilómetros. Era o mais curto, sim, mas não o mais rápido. Ainda assim, a vista valeu a pena:


Foi engraçado percebermos que os habitantes locais, tão habituados a estas paisagens, não percebiam o que é que cinco "turistas" tinham ido ali fazer. A vista que eles têm de casa é indescritível, de um sossego e imensidão brutais. Parece-nos que eles não sabem o quão sortudos são! Afinal de contas, qualquer um de nós também se habituava a viver com uma paisagem destas à janela...

Voltámos depois para o ponto onde tínhamos "abandonado" a EN2, desta vez por uma estrada alcatroada. E fizemo-nos ao caminho até Abrantes, onde o almoço nos esperava. Não foi planeado (o almoço estava previsto para alguns quilómetros mais à frente, mas a fome imperou!) mas acertámos em cheio e a refeição no Restaurante Santa Isabel foi um verdadeiro repasto. Recomendamos, muito, os filetes de polvo com arroz de feijão. 

Além do magnífico almoço e da sobremesa (já lá vamos), Abrantes deu-nos também a maior epifania de toda a viagem. A vista do Castelo de Abrantes faz-nos perceber, com duas miragens, todo o conceito de fazer a Estrada Nacional 2 e de ver "Portugal a passar-nos à frente dos olhos". Se nos virarmos a Norte, vemos as montanhas e os declives do Centro de Portugal. Se nos virarmos a Sul, a paisagem mostra-nos a enorme planície do Alentejo. Girámos sobre os nossos pés, várias vezes, enquanto nos apercebíamos disso.


Fomos, de seguida, em busca da sobremesa. O Guia que levámos connosco, da Foge Comigo!, referia palha de Abrantes premiada. Nós, seguindo o mantra de experimentar todas as iguarias regionais que nos passassem por perto, não poderíamos deixar de provar. E assim fomos à Pastelaria Tágide, onde nos abastecemos da sobremesa (e onde teremos de voltar, para provar as tijeladas...).


A paragem seguinte, já bem alentejana, foi em Ponte de Sor. A cidade recebeu-nos com um sotaque maravilhoso, arte urbana de nos fazer parar o carro várias vezes (abaixo, têm uma foto do mural "A Cura", de ZED1) e aqueles que dizem ser os melhores crepes da Estrada Nacional 2. Provámos, claro! E aprovámos, também. 





Os crepes estão à vossa espera na Confeitaria d'Avenida, bem localizada entre a Casa Bonacho e a Alentejanicis, duas lojas com produtos alentejanos de nos fazerem perder a cabeça. A Alentejanicis, onde todos os menus e preços estão escritos com sotaque alentejano, existe também no centro de Mora. 

A viagem continuou até à Barragem de Montargil, onde aproveitámos para caminhar e "desmoer" toda a comida que ingerimos entre Abrantes e Ponte de Sor. Foram uns quilómetros deliciosos, garanto-vos!


Depois, a freguesia com mais pinta e mais "estrada-nacionalista" que encontrámos: Ciborro. Aqui fica o marco "500" da Estrada Nacional 2, também o mais limpo e arranjadinho de todo o percurso. O café à beira da estrada tem um símbolo enorme da EN2, à laia de Route 66, e há também um outdoor. Infelizmente, o café fecha à segunda-feira (o dia da semana em que estávamos), mas dizem que é um dos poucos sítios onde se pode encontrar merchandising da Estrada.


Ciborro localiza-se já perto da "fronteira" com Montemor-o-Novo, para onde seguimos. Antes de visitarmos os principais pontos turísticos da cidade, fomos directos à Casa das Empadas para o segundo lanche do dia. Depois, seguimos até ao Castelo em ruínas, que nos ofereceu uma excelente vista panorâmica de final de tarde. Por trás do Castelo, visitámos também as ruínas do Paço dos Alcaides.




A tarde já ía longa e isso trocou-nos as voltas para a última paragem do dia: Alcáçovas


Quando chegámos a esta freguesia já o sol estava muito baixo no horizonte e os pontos turísticos fechados. Apenas conseguimos ver a Igreja Matriz das Alcáçovas e espreitar, por fora, o Paço dos Henriques (que nos pareceu estar em obras de remodelação, mas não conseguimos confirmar). 


O Paço dos Henriques foi Casa Real de Portugal no século XIV e entra também na história do nosso país como o local onde foi assinado o Tratado de Alcaçovas, a 4 de Setembro de 1479. Grande parte da fachada encontra-se coberta de conchas, com padrões ornamentais, o que dá um aspecto único ao edifício. Ficámos com muita vontade de regressar, noutra viagem, e explorar o seu interior.



De Alcáçovas a Ferreira do Alentejo demos como terminada a terceira etapa da nossa viagem pela Estrada Nacional 2. Foi um dia muito preenchido, quer de sítios a visitar quer de comida para experimentar... 

Mas quando chegámos a Ferreira do Alentejo ainda houve energias para um novo desvio, até Cuba (a alentejana, claro!), onde jantámos na Taberna do Arrufa. Só pela decoração e pelos pormenores do espaço, vale a pena visitá-lo. Eu, que me perco com pormenores, fiquei logo "colada" à fachada, onde se lê um sugestivo "...sempre de volta a casa". A verdade é que os petiscos, tipicamente portugueses, o vinho e o pão alentejano, nos fizeram mesmo sentir em casa!


A quarta (e última) etapa da nossa roadtrip vai de Ferreira do Alentejo até ao quilómetro final da Estrada Nacional 2, em Faro. Termina com um delicioso arroz de lingueirão... Estão preparados?

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