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Roteiro: Estrada Nacional 2 - Dia 4 (o último)


O quarto e último dia da roadtrip pela Estrada Nacional 2 leva-nos de Ferreira do Alentejo até ao quilómetro final, em Faro. Depois da Etapa Chaves - Peso da Régua (aqui), Peso da Régua - Pedrógão Pequeno (aqui) e Pedrógão Pequeno - Ferreira do Alentejo (aqui), esta foi a etapa mais curta de todas, mas suficientemente longa se pensarmos que ainda era preciso percorrer todos os quilómetros que nos levariam até casa. 
A manhã começou cedo, no Pátio das Andorinhas (podem ler a nossa opinião aqui), com um pequeno almoço ao jeito alentejano. A simpatia com que fomos recebidos pelo Sr. Rui fez com que a conversa se alongasse, e a partida acabou por acontecer mais tarde do que o previsto. Só o arroz de lingueirão, no quilómetro final, teve que esperar por nós. 

A visita a Ferreira do Alentejo começou na curiosa Capela do Calvário. Esta capela redonda, além de uma estrutura original, tem ainda um lanternim no topo e pedras a toda a volta. Diz-se que as pedras foram ali colocadas para relembrar o sofrimento de cristo na Via Sacra. 


Seguimos depois para o Santuário de Nossa Senhora da Conceição, também conhecida como Ermida de São Pedro. Por termos feito este troço da EN2 num feriado muito particular, a maior parte dos monumentos encontravam-se fechados e apenas nos foi possível apreciar a parte exterior...


A saída de Ferreira do Alentejo brinda-nos com um novo túnel de pinheiros. Não são estes os mais famosos - os que estão na capa do guia da EN2 da Foge Comigo, por exemplo - mas a hora tardia em que percorremos o troço anterior já não nos deixou apreciá-los em plenitude. Parámos então o carro e desfrutámos... a vista é incrível e a zona muito fotogénica.



Depois, Ervidel. Além da freguesia, aqui podem visitar também a Barragem do Roxo. Espreitámos a Igreja Matriz de Ervidel, também ela fechada. Aproveitem a vista e, se tiverem mais sorte do que nós, desfrutem da vista panorâmica da torre.



A paragem em Aljustrel deu-nos o privilégio da primeira paragem, com uma porta aberta, do dia. Na Ermida de Santa Maria do Castelo esperava-nos uma voluntária cheia de simpatia e energia, que nos apresentou o espaço e nos contou a Lenda da Senhora do Castelo. "Reza a lenda" que Nossa Senhora terá aparecido em cima de uma rocha do morro do Castelo e que, só depois de construírem a Ermida incluindo a dita pedra, esta se manteve de pé. Existe também outra lenda que nos diz que, ao lhe encostarmos o ouvido, conseguimos ouvir o mar. Nós tentámos, mas sem sucesso. A lenda diz-nos também que se a pedra for arrancada do altar, o mar alagaria a Vila de Aljustrel - a mais de cem quilómetros de distância.




Se houve coisa que aprendemos a apreciar nesta viagem foi a paisagem na estrada. Vimos de tudo, desde o Norte até ao Sul. E vimos também o Alentejo colorido, salpicado de amarelos, vermelhos e roxos, tão diferente da paisagem seca que estamos habituados a ver nas fotografias. 


Também em Aljustrel, percorremos as ruas que levam às Minas de Aljustrel. Vimos o possível, do lado de fora, e seguimos viagem...



A próxima paragem foi Castro Verde, onde continuámos a bater com o nariz nas portas. Primeiro, conhecemos a fachada da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, também conhecida como Igreja das Chagas do Salvador.


Depois, a Basílica Real de Castro Verde. Já que não a pudémos conhecer por dentro, aproveitámos a vista panorâmica do recinto, tão bucólica. Não fosse a fome, teríamos ficado ali.




É também em Castro Verde que podem conhecer o Padrão Evocativo da Batalha de Ourique, que inicialmente se encontrava em São Pedro das Cabeças. São Pedro das Cabeças é um dos desvios recomendados que, infelizmente, não conseguimos fazer.

Entre Almodôvar e São Brás de Alportel, entramos na EN2 - Estrada Património: uma totalidade de 55km que foram intervencionados pelo Projecto Estradas Património. Foi a primeira estrada a receber esta distinção! Reparem, principalmente, nas Casas de Cantoneiros... 



... e parem no Miradouro do Caldeirão, em plena Serra do Caldeirão. Não vão ter dificuldade nenhuma em perceber que chegaram à Serra do Caldeirão, pelo número de curvas e contra-curvas que a EN2 ali ganha. Para os mais sensíveis, não se esqueçam do vomidrine!

A vista a partir do Miradouro é de um verde e de uma imensidão indescritíveis. Aproveitem o sossego e, se tiverem a mesma sorte que nós, o silêncio.


Mais uns quilómetros, mais um miradouro. Desta vez, o Miradouro do Alto da Arroteia, em São Brás de Alportel. Aqui já não conseguimos aproveitar o silêncio, mas foi a primeira vez que, em todo o percurso da Estrada Nacional 2, avistámos o mar. Faro estava ali tão perto, já!


As Ruínas Romadas de Milreu em Estói, último ponto que marcámos no nosso roteiro, estavam também fechadas. A nossa vontade é repetir a última etapa da EN2, para poder aproveitar todos estes pedaços de história que a Estrada nos conta. Ficará, sem dúvida, para um dia destes.


Parámos, como não podia deixar de ser, no quilómetro 738 da EN2. É aqui que se encontra o último marco quilométrico da Estrada e não podíamos deixar de assinalar o feito. 



Fizémos, literalmente, a festa! Depois, seguimos a pé até à célebre placa que indica, em plena cidade de Faro, a distância até Chaves - neste último troço, a Estrada só tem o sentido Sul Norte. É também aqui que está o marco quilométrico de meio quilómetro, ou seja, a marca dos 738,5. A Estrada não acaba, oficialmente, aqui. Mas este é o último ponto assinalado com a sinalética própria das Estradas Nacionais portuguesas. A partir daqui, há uma bandeira comemorativa do traçado completo. 


Depois, um dos episódios mais caricatos de toda a viagem. Ao regressar ao ponto onde tínhamos estacionado o carro, passámos novamente pelo marco quilométrico dos 738, onde estava um grupo de ciclistas a fazer uma autêntica festa por terem acabado o percurso. Fomos, cautelosamente, explicar-lhes que a estrada não acaba ali. E depois da resistência inicial, do "oh, não acredito que ainda temos que pedalar mais" e de até lhes termos mostrado as fotos para garantir que não estávamos a mentir, lá seguiram a pedalar até aos 738,5.

E nós... nós seguimos dali para a Ilha de Faro, onde o Restaurante Zé Maria nos esperava com o tradicional arroz de lingueirão. Os quilómetros já tinham acabado, mas a viagem gastronómica ainda não!


Confesso que chegamos ao fim da última publicação sobre a Estrada Nacional 2 - no que ao roteiro diz respeito, tenham calma! - com uma certa nostalgia. Quatro meses depois, temos saudades disto. Da forma como vimos Portugal a passar-nos à frente dos olhos, como (re)descobrimos tantos sítios, tantos monumentos... como nos deliciámos com a comida típica portuguesa. De aprendermos que "as más pessoas não fazem a Estrada Nacional 2"... 

Já vos deixei com água na boca? Só falta fazerem-se à estrada, literalmente.

Let's Run Away?

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