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Route 66 - O traçado da California (Santa Mónica - Needles)


O fim também pode ser o princípio e nós decidimos começar a nossa pequena aventura pela Route 66 no seu ponto final, em Santa Monica. Depois de termos explorado a zona no dia anterior, juntamente com Venice Beach (aqui), fizemo-nos à estrada pela manhã e fizemos questão de iniciar exactamente onde está o símbolo de fim da Route 66, no Santa Monica Pier.

Fazer a Route 66 é daquelas pretensões que faz parte do imaginário de muita gente. Curiosamente, não pensámos em fazê-la por completo, mas já que estaríamos na zona e queríamos viajar até Las Vegas, incluímos nos nossos planos o trajecto da Route 66 desde Santa Monica até Needles, onde apanharíamos a auto-estrada que entra no Nevada. Lemos tudo o que havia para ler sobre a viagem, definimos o roteiro e partimos. Mas duas horas depois ainda não tínhamos saído sequer de Los Angeles e aquela que é a Route 66 era, afinal, uma avenida qualquer.

Aqui e ali, começam a ver-se os símbolos da Route 66 no asfalto ou, até, em pontes. O trânsito caótico de Los Angeles não ajuda e estávamos, confesso, frustradíssimos. 


Para ajudar à frustração, percebemos que o primeiro Museu do trajecto, onde recolheríamos informação e onde os relatos diziam estar os carros antigos inspirados no Cars - desculpem, vi o Cars umas 9347502375 vezes com o meu sobrinho, sei as músicas de cor e não consegui resistir a isto! -, estava (bastante) mal marcado no mapa. Parámos várias vezes, perguntámos aqui e ali e ninguém nos sabia dar informações concretas. Nisto, era hora de almoço. Fizemos a nossa paragem num típico In N' Out, regámos a frustração com litros de Coca-Cola e seguimos viagem.

E heis que... encontrámos o California Route 66 Museum! Sem os carros do Cars - foram retirados por serem constantemente vandalizados - mas encontrámos! Na verdade, este museu fica em Victorville (bem depois do que está marcado no Google Maps, acreditem!) e não é propriamente sobre a estrada, mas sobre a época em que a estrada foi construída. Para os curiosos, vale a pena. Todo o staff do Museu é constituído por simpáticos voluntários de idade avançada e a conversa foi bastante animada e prazeirosa. 
Mesmo que não tenham curiosidade em conhecer o Museu, aconselhamos a paragem para recolherem uma autêntica preciosidade: um guia detalhado, quilómetro a quilómetro, dos pontos turísticos mais importantes da Route 66. Pelo que percebemos, estes guias existem nos vários museus e detalham o caminho até ao museu seguinte, fazendo com que os viajantes os percorram a todos. No nosso caso, foi uma preciosa ajuda e recomendamos vivamente.





Já munidos do guia da estrada, seguimos viagem pela esburacada Route 66. Para seguir o guia, é necessário colocar o contador de quilómetros a zero, pois é pela distância a partir do Museu que nos vamos regular. 


Primeira paragem: Elmer's Bottle Tree Ranch. Um terreno privado, muitas garrafas vazias e alguém que decidiu fazer delas esculturas. Este não é o Bottle Tree Ranch original, mas sim uma cópia do existente em Hulaville. Ainda assim, é um espaço bastante fotogénico.



Depois, o que resta de Sagebrush Inn. Foi, em tempos, uma autêntica roadhouse, onde as regras de consumo de álcool eram menos limitadas por se encontrar fora dos limites da cidade. Hoje em dia, pelo que nos pareceu, resta apenas a fachada. Remonta ao ano de 1931 e, reza a lenda, era uma espécie de bordel.


Desde que passámos o Museu, em Victorville, entrámos nas paisagens que imaginamos para a Route 66: muita estrada, muita terra, pouca coisa na paisagem. Há ruínas de restaurantes, motéis, bombas de gasolina ao abandono. 


Chegados a Barstow, visitámos a famosa Harvey House. As Harvey Houses são algo semelhante a estações de serviço (mas com muito mais classe) colocadas estratégicamente nas paragens de comboio em cada local. O responsável pela ideia, Fred Harvey, servia refeições rápidas a quem viajava de comboio (e não só) e as casas tornaram-se famosas também pelas "Harvey Girls".



Lembram-se de falarmos dos locais ao abandono? O que mais vemos ao longo da estrada são reminiscências dos famosos sinais luminosos que, em tempos, a iluminaram. Hoje em dia não funcionam, não são sequer mantidos, e dão um toque de fotogenia à estrada.


Se até agora tudo estava ao abandono, o Bagdad Cafe contrasta pela sua vida. E nem precisa de ter pessoas: éramos os únicos clientes. Fica em Newberry Springs e é o set de rodagem do famoso filme com o mesmo nome. 
Facilmente ficamos rendidos a todas as recordações do local: há quem deixe notas, cartões de visita, peças de roupa e até calçado assinado. Sim, há ténis e sandálias na memorabilia reunida. 




A partir daqui, foi "só" estrada e alguns dead ends. Foram horas e horas a conduzir com a paisagem igual a perder de vista. Fomos parando, pelo caminho, nos sítios onde encontrámos os símbolos da Route 66 impressos no alcatrão. 



O único desvio que fizemos ao traçado da Route 66 foi na Pisgah Crater, também conhecida como Pisgah Volcano. Sim, é um cone vulcânico em plena Califórnia, visível a partir da Route 66. Não vem nos guias oficiais, não vem nos relatos que lemos e, muito sinceramente, não sei como descobrimos isto.




A zona é conhecida pelos enormes túneis de lava que existem nas imediações da cratera e que são, pelo que lemos, transitáveis. Ainda assim, não são fáceis de encontrar sem a ajuda de quem conheça a região (apesar de haver mapas GPS muito completos) e é necessário levar material próprio, já que as entradas são, por vezes, autênticos buracos.
Nós, por cá, limitámo-nos a subir à cratera do vulcão e aproveitar a imensidão da paisagem.

Voltámos depois à Route 66, onde aproveitámos uma subida para mais umas fotos. Acreditem, não é fácil apanhar o símbolo da Route 66 como o vêem e, em todo o percurso, esta foi a única zona onde o encontrámos em plano inclinado. 


O dia já estava a terminar e o cansaço inclinava-nos para Las Vegas, onde o hotel nos esperava. Mas, de repente, olhámos pelo retrovisor e vimos o sol a pôr-se sobre a estrada. Saímos e aproveitámos a luz dourada e o calor que se fazia sentir. Foi, provavelmente, o nosso momento preferido do dia.


Seguimos, já com o cair da noite, até Needles. E aí apanhámos a autoestrada que nos faria chegar a Las Vegas, no Nevada.

Fazer este troço da Route 66 não teve nem metade da magia que imaginávamos. Sabemos que não podemos falar na Route 66 num todo, porque só conhecemos uma pequena parte (esta de que vos falámos aqui e um outro troço que fizemos mais tarde, no Arizona) mas até os próprios voluntários do Museu foram peremptórios a dizer que só os turistas procuram a Route 66. Utilizando uma expressão bem americana, foi isso que achámos dela: tourist trap. Grande parte do traçado original da estrada já não existe, encontrámos dezenas de dead ends, tudo está abandonado e em declínio. É uma estrada que conta a história de tempos idos de um país? É, sim. Mas a nós não nos convenceu.

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